16 novembro 2018

FOTO COM HISTÓRIA

VIOLEIRO NO S. MARTINHO
FOTO COM HISTÓRIA



Esta foto foi tirada à tenda do violeiro Domingos Machado, na Feira de S. Martinho de 1962, em frente à Assembleia Penafidelense.

Domingos Machado nasceu em Aveleda, concelho de Braga, a 7 de Abril de 1936.




O artesão Domingos Martins Machado aprendeu na oficina de seu pai (Domingos Manuel Machado) a arte de fabricar instrumentos. Na época do seu pai o forte dos instrumentos fabricados eram cavaquinhos e as violas braguesas. A obra efectuada era vendida nas feiras. As guitarras e os bandolins era raro fazerem-se , mas as casas comerciais preferiam estes instrumentos. Naquela altura, havia muita concorrência, os Machado tinham por isso que fazer mais obra para a vender a um preço mais acessível. Um cavaquinho custava cerca de dezoito escudos.

Foi considerado o melhor artesão aqui no Norte a executar violas campaniças, beiroas, toeiras, braguesa, Amarantinas com os dois corações, cavaquinhos e muitos outros instrumentos.

Os seus trabalhos ganharam fama e tornaram-se conhecido a nível nacional e internacional.



Muitas dos seus instrumentos são adquiridos por diversos coleccionadores nacionais e internacionais; para músicos profissionais como Júlio Pereira, Janita Salomé , Ana Faria, José Mário Branco, Pedro Barroso, vários grupos de musica popular procuram-no , como, por exemplo : Cantares do Minho, Maio Moço, Terra Brava (Santarém), Erva Doce (Loulé), etc.
Tunas académicas, salientando as de Braga, Aveiro, Vila Nova de Famalicão , Viana do Castelo, Vila Real e Faro.
Tem também inúmeras encomendas para orquestras típicas, nomeadamente, " o cancioneiro de Águeda", (escalabitana), de Santarém, a de Águeda, de Alcanena, de Rio Maior, Castelo Branco (Albicastrense), de Mira D'Aire e de Vila Nova de Ourém.



George Harrison, um dos ex-Beatles, adquiriu uma viola feita por Mestre Machado.


Pela oficina passaram personalidades nacionais e internacionais reconhecidas no mundo da música, como Amália Rodrigues, Oliver Serrano, Donovan, António Chainho e Rão Kyao.

Cedeu a Oliver Serrano, primeiro produtor dos Beatles, alguns instrumentos da sua colecção (em 20-10-1990). Como agradecimento , o seu nome sai em dois Cds, com a seguinte dedicatória: "Very special thanks to Domingos Martins Machado".




O Museu de Cordofones Domingos Machado, fica situado na Av. António Gomes Pereira, nº. 13 Tebosa – Braga, e foi inaugurado em Setembro de 1995.


É um museu privado, fruto do trabalho e dedicação do seu proprietário, Domingos Martins Machado, reputado artesão violeiro que, a expensas próprias e sem qualquer ajuda, quer oficial quer particular, o edificou e recheou com a mais completa colecção de cordofones portugueses, que ele próprio construiu.


Se um dia o pensar visitar aqui ficam algumas informações que lhe são úteis:

Horário:
De 2ª a Sábado das 09h00 às 12h00 / das 14h00 às 19h00

Preço:
Entrada Gratuita
Marcação prévia para grupos



Contacto: - 253 673 855





Esta foto aparece publicada no livro Instrumentos Musicais Portugueses do Etnólogo, Doutor Ernesto Veiga de Oliveira e num pequeno livrete extraído desse mesmo livro que acompanha o LP Cavaquinho de Júlio Pereira.

Para mim esta foto não é mais uma de S. Martinhos passados, mas trata-se de uma fotografia que faz parte da vida de Domingos Machado, um Homem que edificou e recheou com o seu trabalho o seu próprio museu, coisa rara se não única neste país.

10 novembro 2018

CONCERTAÇÃO SOCIAL LOCAL

CONCERTAÇÃO SOCIAL LOCAL

NO ANO DE 1939



Muito se tem falado e escrito sobre o dia de S. Martinho ser o feriado concelhio de Penafiel.



Devido à grande feira anual de S. Martinho que se realiza na cidade de Penafiel de 10 a 20 de Novembro, todos os estabelecimentos abrem as suas portas, ficando assim os trabalhadores dos mesmos impossibilitados de terem direito ao descanso neste dia de feriado.


Mas só a partir de 9 de Outubro de 1969, é que foi instituído o dia 11 de Novembro como feriado Municipal do Concelho de Penafiel.



Embora anteriormente a esta data não fosse feriado o dia de S. Martinho, havia geralmente entre os dias 10 e 20 de Novembro dois domingos que os trabalhadores teriam que ser compensados. 

 


Por causa disso nada mais natural, que a Secção de Penafiel do Sindicato dos Empregados do Comércio, se sentasse à mesa das negociações com a Associação Comercial e Industrial de Penafiel, para acertarem as devidas compensações aos empregados do comércio local que trabalhassem nesses dias de domingo.





O que eu vou relatar sobre as ditas negociações, passou-se no ano de 1939, pelo que, apenas estavam em causa as compensações respeitantes aos domingos dos dias 12 e 19 de Novembro, em que os empregados tinham que trabalhar, já que o dia 11 ainda não era considerado feriado.





COMUNICADO



O Sindicato Nacional dos Empregados no Comércio do Distrito do Porto (Secção de Penafiel), leva ao conhecimento de todos os excelentíssimos Associados que, por acordo entre a Associação Comercial e Industrial de Penafiel, e este Sindicato Nacional, com a superior autorização do Instituto Nacional do Trabalho, foi resolvido que nos próximos dias 25 de Dezembro do ano corrente (Dia de Natal), e 1 de Janeiro do próximo ano (Dia de Ano Novo), seja rigorosamente observado o encerramento de todos os estabelecimentos comerciais e industriais desta cidade de Penafiel, em compensação dos dias 12 e 19 do mês em decurso, dias em que se encontram abertos por motivos da feira anual de S. Martinho.



Mais se faz saber que a referida alteração foi proposta pela Direcção deste Sindicato e tem como objectivo o desejo de não lesar os interesses dos excelentíssimos comerciantes, com o encerramento dos estabelecimentos em dias inconvenientes.



Penafiel, 8 de Novembro de 1939



Quero lembrar que em 1939, já o Dia de Natal e Ano Novo faziam parte da lista dos feriados nacionais.



Não sei se houve negociação ou imposição, mas de certeza que foi tudo acertado... “A Bem do Patrão”.

01 novembro 2018

.LICEU MUNICIPAL DE PENAFIEL

LICEU MUNICIPAL DE PENAFIEL



Em 1932, o Estado Novo, publica no Diário do Governo n.º 234/1932, de 6 de Outubro de 1932, o Decreto n.º 21:706, publicando as normas para a criação de liceus municipais, e respectivos procedentes pedido e justificação bastante por parte da câmara municipal directamente interessada.



As forças vivas da cidade de Penafiel, a começarem pelo Presidente da Câmara, Arrochela Lobo se comportaram mais como forças mortas, deixando fugir esta oportunidade, já que a mesma seria benéfica não só para o concelho de Penafiel, como para os concelhos vizinhos de Lousada e Paredes e até de outros mais distantes como Marco de Canaveses, Amarante, Felgueiras e Paços de Ferreira.




Penafiel dada a sua categoria de cidade e população escolar, bem necessidade tinha de um estabelecimento de ensino secundário desta natureza, onde as classes populares pudessem instruir-se e educar o espírito.

Infelizmente os interesses corporativos falaram mais alto, e saíram a terreiro Cipriano Barbosa e o dr. Avelino Soares, ambos professores em defesa do Colégio de Nossa Senhora do Carmo, onde leccionavam. 
 



Acontece que este excelente estabelecimento de ensino, não estava ao alcance da maior parte das bolsas dos penafidelenses, e para termos a noção disso, basta ver o anúncio onde se pode ler quanto custava nos anos 30 frequentar o Colégio de Nossa Senhora do Carmo.


Dr. Avelino Soares


Avelino Soares justificava desta forma que se segue, a não abertura de um Liceu Municipal em Penafiel:



1.º – É lamentável que os articulistas da campanha “pró-liceu” (levada a cabo em todos os jornais locais, O Clarim; O Tempo; O Penafidelense e o Povo de Penafiel), ao terem de votar ao sacrifício o velho Colégio de Nossa Senhora do Carmo.



2.º – Que não viriam muitos mais alunos de fora estudar para Penafiel.



3.º – Que o liceu vem beneficiar as famílias pobres tornando mais acessível à educação é outro erro.



4.º – Com efeito ses se trata de crianças sem jeito nem vocação, para os estudos, metê-las num liceu, é arruinar-lhes o futuro, transformando a matéria-prima de um excelente artista, fácil de colocar, num semi-letrado, que às portas das repartições públicas de gravata impecável, com mangas de alpaca e porventura monóculo ao dependuro à espera indefinidamente a côdea de um emprego limpo que nunca chega.



5.º – Ao contrário se se trata de crianças pobres, mas aptas para os estudos, essas crianças, que nem tantas são, têm já, e de há muito, ensino inteiramente gratuito, pois a Câmara paga bolsas de estudo. (Inteiramente grátis uma ova, já que a Câmara apenas pagava metade do valor da propina).



6.º – Que o Colégio de Nossa Senhora do Carmo tinha sido reformado, tendo a sua direcção gasto tanto dinheiro.




E foi com este “Sentir Penafiel” de antigamente em que apenas os ricos tinham direito ao ensino, enquanto os filhos dos operários deviam continuar a sê-lo, que se perdeu esta oportunidade de Penafiel ter um Liceu Municipal no ano de 1932.




Apenas no ano lectivo de 1972 / 73, nasceu o Liceu Nacional de Penafiel, deixando de ser uma Secção Liceal do Liceu Nacional Alexandre Herculano do Porto.



Infelizmente, o Liceu Nacional de Penafiel teve vida curta, já que foi extinto através do Decreto-Lei n.º 80/78, de 27 de Abril, com efeitos a 1 de Outubro de 1978.




O que podia ter sido uma realidade em 1932, devido a certas mentalidades da época, apenas apareceu 40 anos depois, ou seja no ano de 1972, funcionando no edifício do Colégio de Nossa Senhora do Carmo, actualmente adaptado a Museu Municipal de Penafiel.










25 outubro 2018

PENAFIEL APOIA FRANCO

PENAFIEL APOIA FRANCO



No ano de 1936, a nossa vizinha Espanha estava mergulhada em Guerra Civil, que só terminou com a chegada das tropas de Franco a Madrid a 26 de Março de 1939, com a queda de Valência e Alicante em 30 de Março, e de Múrcia em 31, a guerra termina a 10 de Abril de 1939.



Em Portugal o governo de Salazar sempre apoiou as tropas nacionalistas do General Francisco Franco. Em Lisboa e no Porto, tiveram particular relevo as manifestações organizadas no mesmo dia da capitulação de Madrid, sendo aclamados, Portugal, Espanha, Salazar e Franco.


Como não podia deixar de ser, Penafiel também festejou com entusiasmo e alegria, sendo organizada uma marcha pelo delegado policial, sr. dr. Correia de Noronha, com a colaboração do Terço Independente Nº 41 da Legião Portuguesa de Penafiel e da Mocidade Portuguesa.



Nesta manifestação se incorporaram muitas pessoas e instituições como: Bombeiros Voluntários de Penafiel, Paço de Sousa e Entre-os-Rios, estudantes, associações e Sindicatos Nacionais com os respectivos estandartes e a Banda de Música da Legião Portuguesa local, percorrendo várias ruas na urbe até à Câmara Municipal, onde o sr. dr. Correia de Noronha pronunciou um vibrante e patriótico discurso que deu lugar à maior manifestação de carinho a Salazar, ao Chefe de Estado Óscar Carmona, a Franco e a Espanha.

Seguidamente o professor sr. Belarmino C. Araújo usou também da palavra, salientando o significado da vitória nacionalista e terminou soltando entusiásticos vivas a Salazar, a Portugal, a Franco e a Espanha Nova, que foram delirantemente correspondidas pela multidão que enchia a Praça Municipal.



Em seguida, e com o mesmo entusiasmo, o cortejo dirigiu-se para o quartel de Infantaria N.º 6, onde era esperado pelo seu ilustre comandante sr. Tenente-Coronel Nogueira Soares e demais oficiais, repetindo-se as manifestações e os vivas ao exército, a Portugal e a Espanha.



Por fim os manifestantes foram novamente para o quartel da Legião Portuguesa, situado na Avenida Egas Moniz N.º 111 em Penafiel, de cuja varanda falou o comandante do Terço Independente N.º 41 da Legião Portuguesa, sr. Capitão Noronha e Menezes, que agradeceu a todos a manifestação de verdadeiro nacionalismo que demonstraram duma forma tão brilhante.



Aqui se repetiram vibrantemente as aclamações e os vivas a Salazar, a Óscar Carmona, a Franco e à victória comum do nacionalismo peninsular Ibérico.


Passados estes anos todos, os erros repetem-se e os regimes de extrema direita estão de volta.



Quando os regimes ditos democráticos, alimentam antros de corrupção, e os partidos ditos políticos, não passam de associações para tomarem o poder e distribuírem benesses pelos seus acólitos, levando muitas das vezes a incompetência e a irresponsabilidade a reinarem, e a segurança de sair à rua livremente é ameaçada, com roubos e atentados, qualquer cidadão comum hipoteca a sua liberdade “democrática”, pela sua segurança, levando qualquer fascista ao poder através de eleições livres e democráticas. 

 



Se isto hoje é mais visível no Brasil, aqui na Europa vemos a extrema-direita a subir nas eleições e em alguns países a tomarem mesmo o poder. É preciso ter em conta que Hitler também chegou ao poder através de eleições.

- E de quem será a culpa de tudo isto acontecer?




Cá para mim, é da falta de democratas nas ditas democracias. 

 


Quem não se lembra de Salazar ser escolhido pela maioria dos espectadores da RTP 1, que votaram na eleição do “maior português de sempre”, no âmbito do programa “Os Grandes Portugueses”, 33 anos depois de Abril. 


- Pois é! Pelos vistos, não basta vir para a rua gritar “Fascismo Nunca Mais”, quando quem nos (des)governa, todos os dias vai criando as condições para ele se instalar.

15 outubro 2018

O CRUCIFIXO NA ESCOLA

O CRUCIFIXO NA ESCOLA




Quando entrei para a escola primária Conde de Ferreira em Penafiel, no final dos anos cinquenta do século passado, na parede branca, sobre o quadro negro lá estava dependurado o crucifixo, ladeado pelos retratos de sua Excelência o Presidente da República e do Presidente do Conselho de Ministros.

Professora e colegas da 1.ª classe (1957)


Nesses tempos do Estado Novo, a religião adoptada pela Constituição de 1933, era a católica.

Mas com a entrada de António Carneiro Pacheco, para Ministro da Instrução Pública a 18 de Janeiro de 1936, vai-se realizar uma grande reforma no ensino.

Carneiro Pacheco


Uma das primeiras medidas foi alterar o nome do Ministério da Instrução Pública para Ministério da Educação Nacional.



Em nome da Nação, a Assembleia Nacional decreta e Carneiro Pacheco promulga a Lei n.º 1941, de 11 de Abril de 1936.




É a partir desta lei que é implementado o livro de leitura único em todo o país, que incentivasse à mentalidade nacionalista e cristã. A parte final de cada livro era dedicada à doutrina cristã.



Estes livros no final dos anos lectivos, não ficavam fora do prazo de validade, pelo que passavam de irmãos para irmãos ou irmãs, primos ou até de um filho de um amigo ou vizinho.

No meu tempo de escola primária os livros para as respectivas classes eram os seguintes:

Livro da 1.ª Classe

Livro da 2.ª Classe

Livro da 3.ª Classe


Livro da 4.ª classe

Quanto ao crucifixo, na Base XIII da lei nº 1941, podemos ler o seguinte:

"Em todas as escolas públicas do ensino primário infantil e elementar existirá, por detrás e acima da cadeira do professor, um crucifixo, como símbolo da educação cristã determinada pela Constituição".

O modelo de crucifixo oficialmente aprovado, foi concebido pelo génio do insigne estatuário Sr. Teixeira Lopes.

Na mesma determinação, Salazar, a fim de combater a falsificação dos crucifixos ou de impedir a livre concorrência, impõe que o crucifixo da catequização, de Salazar, teria de ser adquirido numa empresa muito recomendável, a União Gráfica (propriedade da Igreja católica).    

Podemos concluir, que a igreja de então não pregou prego nem estopa na operação crucifixo na sala de aula, mas com a sua venda, lucrou alguns escudos.

A bênção dos crucifixos era uma festa nas quais eram celebradas missas pelos párocos e até por bispos. Nesses festejos do regime, cantavam-se o hino nacional, hinos religiosos e patrióticos, e realizavam-se cortejos, levando o referido crucifixo à escola depois da realização da missa. Em geral, nesses eventos festivos, participava um membro da União Nacional. Estes factos tinham um valor simbólico, para além das festas propriamente ditas, com uma função ideológica traduzida na apologia do cristianismo e do catolicismo. 

 

Em Penafiel não foi diferente. No dia 1 de Dezembro de 1937, pelas 10 horas celebrou-se na Igreja Matriz uma missa presidida pelo padre de Penafiel Alcino Gonçalves de Azevedo.



No final da missa professores e alunos dirigiram-se para a Escola Conde de Ferreira onde ás 11 horas, foi hasteada a Bandeira Nacional, e teve lugar uma sessão solene.

Usaram da palavra os professores António Pais Neto, Director da Escola, Gaspar de Oliveira e o Reverendo Padre Alcino Gonçalves de Azevedo. 

Padre Alcino Gonçalves Azevedo
 

Presidiu a esta sessão, o ilustre Director do Colégio de Nossa Senhora do Carmo, sr. Padre Agostinho, secretariado pelos senhores Capitão Pinto, na qualidade de representante do Comandante Militar e o sr. major reformado Manuel Joaquim Camelo.



Segue-se o programa desta cerimónia:

1º – Abertura da Sessão Solene
2.º – Hino 1.º de Dezembro
3.º – Hino da Escola
4.º – Palestra sobre o 1.º de Dezembro
5.º – Sinos da Aldeia (orfeão)
6.º – Caravelas (orfeão)
7.º – Rapsódia (orfeão)
8.º – As Bandeiras (recitativo – canção)
9.º – Viva Portugal (recitativo)
10.º – As Campainhas (valsa)
11.º – Bênção dos Crucifixos pelo Padre Alcino Gonçalves Azevedo
12º – Crucifixo (recitativo)
13.º – Hino do Crucifixo (orfeão)
14.º – Palestras alusivas
15.º – Avé Maria (orfeão)
16.º – Padre-Nosso (recitativo)
17.º – Jesus (recitativo)
18.º – A senda do Calvário (recitativo)
19.º – Salmo (recitativo)
20.º – O Estudo (recitativo)
21.º – A Escola (recitativo)
22.º – Deus (recitativo)
23.º – Hino da Escola (orfeão)
24.º – A Portuguesa



No final desta emocionante cerimónia, em todas as salas de aula das escolas desta cidade de Penafiel, foi colocado um crucifixo.

Com o golpe militar do 25 de Abril de 1974, e com a nova Constituição laica de 1976, os crucifixos foram retirados das paredes das escolas. 

Como se isto não bastasse, crucificaram a língua de Camões, pondo as crianças a escreverem à moda do país de Jorge Amado.  


26 setembro 2018

O GAZCIDLA

O GAZCIDLA



Em 11 de Novembro de 1940, cumprindo as directivas do Estado Novo, para a auto-suficiência de Portugal nas áreas dos petróleos e da energia, a SACOR inaugura a refinaria de Cabo Ruivo com a presença do seu fundador o romeno Martin Saim. 

Fundador da SACOR, Martin Saim, na inauguração da refinaria


Já em 1958 a refinaria sofre obras de ampliação e remodelação, tornando-a apta a comercializar vários combustíveis para aplicação doméstica e industrial.




Em sequência, foi criada a CIDLA, sociedade Combustíveis Industriais e Domésticos, L.da, que originou a marca de gás doméstico Gazcidla.




O Gazcidla espalhou-se rapidamente pelo país, através de uma rede de agentes, contribuindo para melhorar as condições de muitos portugueses.


Mealheiro  - Economize usando GAZCIDLA


Na cidade de Penafiel, no dia 15 de Abril de 1959, abre na Praça Municipal N.º 53 a firma Duarte & Malheiro L.da, sociedade que são únicos proprietários António Pinto Duarte e Carlos Viegas Malheiro.


Interior da loja de Penafiel


Para além da venda do gazcidla, também se procedia à venda de toda a aparelhagem de queima como: fogões, esquentadores, aquecedores, objectos para camping-gaz, frigoríficos e candeeiros de iluminação.



Os fogões comercializados pela Cidla eram todos produto nacional, embora provenientes de várias fábricas como: Presmalt, Portugal, Oeiras, Leão e Siul.

Denominada Agência Central do Gazcidla, a sua área abrange, para além de Penafiel, os concelhos de Gondomar, Valongo, Paredes, Marco de Canaveses, Baião, Castelo de Paiva, Resende e Cinfães, localidades onde existem agentes depositários do produto, e como tal encarregados da sua distribuição e venda. 

 

A Cidla tinha dois sistemas de venda, um a pronto pagamento e outro a prestações, este último no prazo máximo de dois anos e que está sendo bastante preferido pelas classes menos abastadas que se aproveitam dessa facilidade para adquirir o aparelho desejado. 

 



Quando chegou a Penafiel o “Gazcidla”, o velhinho fogão a lenha lá de casa passou à reforma.

Deixou de haver fumarada na cozinha, que enegrecia a chaminé, os tachos e as panelas.

Reduziu-se em muito o tempo que levava a acender o lume e a aquecer o fogão.

Mas cá para mim, a comida feita no velhinho fogão a lenha tinha outro paladar.