13 janeiro 2019

AGORA SIM

AGORA SIM



Em 1 de Julho de 2015, no meu blogue “Penafiel Terra Nossa”, chamei a atenção para o desleixo a que estava votado algum património municipal, entre ele o antigo tanque da Praça do Mercado retirado da Av. Sacadura Cabral para a Praça da República.

Nessa postagem com o título “ OS TANQUES DA PRAÇA DO MERCADO”a dada altura dizia o seguinte;

Este património municipal, segundo a minha singela opinião, apesar de já se encontrar na reforma, merecia mais atenção, pois é inconcebível, que estas pedras não sejam lavadas de longe a longe, para deixarem de ter esta cor que em nada abona a favor da nossa cidade, não só na consideração dos penafidelenses como naqueles que nos visitam.”  

Nesta altura o tanque tinha a cor que mostra a foto.


No final do ano passado, teve uma intervenção de limpeza e recuperou a sua cara lavada.


Como diz o nosso povo, mais vale tarde do que nunca... mas agora sim.

09 janeiro 2019

GASPAR FERREIRA BALTAR

GASPAR FERREIRA BALTAR



Nasceu a 26 de Outubro de 1823, na freguesia de São Martinho, concelho de Penafiel, filho de um militar, o capitão José Ferreira Baltar e de Maria Máxima da Cunha.

No ano de 1845, com cerca de 22 anos partiu para o Brasil. Esta partida ficou a dever-se a uma carta de chamada do seu padrinho e/ou irmão Caetano Ferreira Baltar, que já se encontravam estabelecidos no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Durante a sua estada nesta cidade brasileira começou por trabalhar junto dos seus familiares, tendo posteriormente realizado negócios por conta própria, nomeadamente o comércio de vinhos.

Casou com Margarida Salgado Baltar, natural de Penafiel, de quem teve dois filhos: Gaspar Ferreira Baltar e Isabel Maria da Cunha Baltar

Terá permanecido no Brasil cerca de duas décadas, durante as quais conseguiu alcançar fortuna. Entre 1866-1867 regressou definitivamente a Portugal, com uma fortuna que lhe permitiu apoiar o movimento da Janeirinha.


Após o regresso do Brasil, Gaspar Ferreira Baltar fixou residência na cidade do Porto. No entanto, possuía duas quintas no concelho de Penafiel, a Quinta da Curveira e a Quinta da Maragoça, nas freguesias de São Paio da Portela e de Valpedre, respectivamente.

Dedicou-se à política, sendo inicialmente apoiante do partido reformista e, posteriormente, progressista. Este movimento político conduziu ao aparecimento de um jornal – O Primeiro de Janeiro. 
 
O Primeiro de Janeiro foi um jornal diário que se publicou na cidade do Porto pela primeira vez em 1 de Dezembro de 1868.



António Augusto Leal, era proprietário de uma tipografia, tendo decidido criar um novo jornal na cidade do Porto. O jornal não teve grande sucesso na altura, apenas sobrevivendo com o auxílio de um comerciante regressado do Brasil, Gaspar Baltar, o qual, em 1869 se tornou administrador daquela publicação, ficando o seu filho homónimo com a direcção editorial.

Para além da política, manteve a actividade comercial e empresarial na cidade do Porto. Foi proprietário da Nova Companhia de Viação Portuense. Esta companhia transportava as malas de correio entre as cidades de Braga e do Porto e na região Norte, durante a década de 1870. Esta companhia seria posteriormente encerrada devido à conclusão da ligação ferroviária entre Porto e Guimarães.

Se isto se passava na cidade do Porto, em Penafiel Gaspar Baltar, envolveu-se na construção e alargamento da estrada de acesso a Entre-os-Rios. E era um dos associados da Sociedade de Águas de Entre-os-Rios, responsável pelo início da exploração das águas termais em1894. 



A 10 de Outubro deste ano foi publicado no Diário do Governo o alvará de concessão de exploração destas águas. Neste mesmo período, Gaspar Baltar, juntamente com Eduardo da Silva Machado e Joaquim França Oliveira Pacheco foram os responsáveis pela construção da Estância da Torre e do seu hotel. 


Em 1896, foram inaugurados estes edifícios. Posteriormente, em 1911 foi inaugurado o Novo Hotel e, em 1920, uma capela neogótica com a presença do filho de Gaspar Ferreira Baltar e da sua esposa Margarida Salgado Baltar.


Apesar do empreendedorismo demonstrado ao nível da política ou mesmo económico, Gaspar Ferreira Baltar demonstrou uma preocupação com todos aqueles que necessitavam, desde os seus empregados e colaboradores do jornal até aos naturais do concelho de Penafiel.  


 

A Irmandade da Misericórdia de Penafiel foi uma das instituições auxiliada quer em vida quer no testamento deste. Aquando do seu falecimento, em 1899, doou à Misericórdia 500$00 réis, tal como ao Hospital existente na cidade. Na galeria dos beneméritos da Misericórdia, encontra-se exposto o quadro de Gaspar Ferreira Baltar.


Gaspar Ferreira Baltar visitou o Hospital da Misericórdia de Penafiel bem como o “Asilo das Raparigas” por diversas vezes procurando sempre angariar fundos para a sua subsistência. Em 1894 ano de inauguração do Hospital da Misericórdia de Penafiel, Gaspar Ferreira Baltar e a sua família acompanharam o conselheiro José Augusto Correia de Barros e Manuel Pereira, redactor da Câmara de Deputados numa visita ao Hospital da Misericórdia e ao Asilo das Raparigas. Aquando da visita foram feitas algumas doações pecuniárias para auxiliar quer os doentes quer mesmo as crianças que ali se encontravam.

Em 1899, no seu testamento, doou 1$000 réis a cada um dos pobres de Penafiel que se encontrasse internado no Hospital da Misericórdia. Os outros pobres que não se encontrassem hospitalizados receberiam a mesma quantia. Estas doações deveriam ser levadas a cabo pelo administrador do concelho, António Joaquim de Carvalho e pelo respectivo pároco.


As Irmandades do Carmo, do Calvário, dos Passos e da Senhora da Ajuda foram beneficiadas com 50$000 réis cada uma, de acordo com o testamento de Gaspar Baltar.

O Santuário da Nossa Senhora da Piedade e dos Santos Passos que se encontrava em construção e, que na década de 1890, tinha sofrido algumas interrupções devido à falta de dinheiro, foi beneficiado por Gaspar Baltar no seu testamento.

Entre 1897 e 1899 as obras estiveram paradas, demorando desta forma a conclusão deste santuário. Assim, legou uma verba de 250$000 réis à Confraria de Nossa Senhora da Piedade e dos Santos Passos de Penafiel. Esta quantia permitiu concluir a torre sineira em Outubro de 1899.

Os carenciados das freguesias de São Vicente do Pinheiro, Portela e Valpedre foram contemplados com ofertas que deveriam ser distribuídas nos finais das cerimónias fúnebres.

Ao longo do ano de 1899, as irmandades ordenaram a celebração de cerimónias religiosas em honra de benemérito, facto que possibilitou a distribuição de esmolas pelos mais pobres.






Gaspar Ferreira Baltar morreu a 29 de Junho de 1899 na rua de Santa Catarina, na cidade do Porto, tendo-se preocupado em apoiar os mais carenciados em Penafiel, ficando apenas conhecido como o “Baltar do Janeiro”.

Este ilustre penafidelense procurou desenvolver a sua actividade de beneficência e empresarial, não demonstrando qualquer preocupação com a atribuição de títulos nobiliárquicos ou de comendas.

Em 1869, Gaspar Ferreira Baltar foi agraciado com uma comenda pela actividade desenvolvida como negociante na cidade do Porto e como proprietário. No entanto, este título foi recusado pelo mesmo, uma vez que, de acordo com a imprensa e com familiares, insistia em ser conhecido apenas como o “Baltar do Janeiro”.



O jornal “O Primeiro de Janeiro”, ofereceu um placard ao Café Bar, de Penafiel, que foi inaugurado pelas 18 h, do dia 22 de Outubro de 1935, sendo visível na foto que se segue, e quem hoje já soma mais de meio século de idade deve-se lembra-se do mesmo.


Gaspar Baltar, aparece na toponímia penafidelense nas freguesias de Penafiel e São Paio de Portela como Avenida, na freguesia do Pinheiro como rua e na freguesia da Eja, em Entre-os-Rios como Largo Dr. Gaspar Baltar.

Aqui fica a minha singela homenagem ao penafidelense ilustre Gaspar Ferreira Baltar, que ainda não tinha surgido neste blogue "Penafiel Terra Nossa".


14 dezembro 2018

EÇA DE QUEIROZ EM PENAFIEL

EÇA DE QUEIROZ EM PENAFIEL



José Maria de Eça de Queirós, mais conhecido por Eça de Queiroz, além de escritor, também foi diplomata português.



Eça de Queiroz, nasceu na Póvoa de Varzim, no dia 25 de Novembro de 1845, vindo a falecer em Neuilly-sur-Seine, a 16 de Agosto de 1900, sendo na altura Cônsul de Portugal em Paris, tendo estado anteriormente nos consulados de Havana em Cuba e em New-Castle na Inglaterra.

Foto - Penafiel Alerta

Penafiel, está-se a tornar numa Havana, fazendo parte do cenário, onde está a ser rodada uma nova série para a RTP (Rádio Televisão Portuguesa), sobre a vida de Eça de Queiroz em Cuba.

Talvez muitos penafidelenses não saibam, mas este grande romancista esteve em Penafiel, no dia 23 de Maio de 1892.

Eça de Queiroz, veio propositadamente a Portugal para fazer as partilhas por morte da sua sogra, a Condessa de Resende, ficando em Paris a sua esposa D. Emília Resende e seus filhos.

Nessas partilhas, foi adjudicada a esta filha, D. Emília, a Quinta de Santa Cruz do Douro, em Baião, a célebre Tormes de “A Cidade e as Serras”, e à filha D. Benedita a Quinta da Torre, sita na freguesia de Beire do concelho de Paredes.



Eça de Queiroz e a sua cunhada D. Benedita, resolveram fazer uma viagem a fim de conhecerem as propriedades que lhes couberam por herança.



Assim, no dia 23 de Maio de 1892, abalaram de comboio do Porto para Penafiel, a fim de seguirem para Beire.

Na foto vê-se o Hotel central onde mais tarde foi sede do Sindicato dos Caixeiros



Chegados a Penafiel, vão-se hospedar no Hotel Central, mais conhecido pelo Hotel da D. Rita, onde se encontravam também hospedados alguns oficiais do Regimento de Artilharia 4, aquartelado nesta cidade.

D. Benedita escreve uma carta à sua irmã D. Emília a narrar esta hospedagem no Hotel Central que diz o seguinte:



Foi-nos recomendado como muito bom o Hotel Central, Lá fomos bater. Depois de várias discussões, a dona da casa arranjou-nos dois quartinhos nas águas furtadas visivelmente desabitados.



Ceamos muito bem e deitamo-nos ás 11 horas.



Mal a luz apagada...não lhe digo nada! Resolvi passar a noite sobre duas cadeiras. Por volta da 1 hora ouvi a dona da casa mexer-se.



Chamei-a e contei-lhe logo o que sucedia. Ela decidiu logo a questão: A senhora vem para baixo e deita-se sobre a mesa de jantar! Assim fiz. Deitou-se um colchão sobre a mesa, passaram roupa lavada, mas tudo foi debalde. Atacaram-me as pulgas e era dia claro quando consegui dormir umas horas. O José (Eça de Queiroz) entretanto não tinha sido mais feliz, e entre a má cama e a repugnância pouco dormiu. Ainda tivemos coragem para almoçar.



Partimos então de carruagem para Beire.”





No caminho admiramos Penafiel que é lindíssimo, é cheio de árvores, de vegetação e tem um terraço de onde se gozam léguas em redor. Do livro “Eça de Queiroz entre os seus”.




Eça também retrata esta sua estadia por Penafiel no seu livro “Os Maias” da seguinte maneira:



... e falou de Penafiel, onde chovera sempre tanto que ele vira-se forçado a ficar em casa, estupidamente, a ler...

Uma maçada! Ainda se houvesse ali umas mulheres para ir dar um bocado de cavaco... Mas qual! Uns monstros. E eu, lavradeiras, raparigas de pé descalço, não tolero... Há gente que gosta... Mas eu, acredite Vossa Excelência, não tolero..”



Depois de visitarem a Quinta da Torre, em Beire, meteram-se no comboio na estação de Paredes, rumo a Santa Cruz do Douro.

Passados muitos anos e com a morte de D. Benedita, esta quinta coube por herança ao seu filho Dr. Luís Osório.



Um dia, o Padre Américo, passou por lá e vendo o estado em que se encontrava a quinta, mandou-lhe um bilhete postal, que rezava assim:

" Sr. Dr. Luís Osório:
Passei hoje à sua Quinta da Torre que encontrei abandonada. Se precisa dela para viver, guarde-a. Se não precisa deite-a para cá”

Assinava Padre Américo

No dia 24 de Junho de 1954, foi lavrada escritura no Cartório Notarial de Paredes, da doação da Quinta da Torre, em Beire, Paredes, à Obra da Rua, representada pelo Padre Américo e com a presença do generoso Dr. Luís Osório.



Uma vez senhor da Quinta da Torre, o Padre Américo transformou-a por completo e deu-lhe o nome de Calvário. Destinou-a, sobretudo a doentes incuráveis, dando-lhes por assim dizer um lar onde nada lhes falte.

Segundo li na imprensa, nos dias que correm, há problemas sobre a gestão desta casa e a Segurança Social, mas isso são contas de outro rosário, que não vêm ao caso. No entanto, faço votos que tudo se resolva, e este Calvário siga o rumo que o Padre Américo lhe traçou.

13 dezembro 2018

FORÇAS SOBRENATURAIS OU ILUSIONISMO

FORÇAS SOBRENATURAIS
OU ILUSIONISMO


Todos sabemos da história do banco bom e do banco mau. Mas junto a um pequeno lago situado no interior do Parque Zeferino de Oliveira, vulgarmente chamado de Jardim do Sameiro, haviam dois bancos que desapareceram.

Das duas uma: Ou eram os dois bancos maus e foram para o lixo, ou era bons e pronto.... não é preciso dizer mais nada.

ANTES


AGORA

No mesmo parque no decorrer da mesma obra, também se verifica o desaparecimento de uma pedra onde estavam colocadas duas placas em metal junto ao Santiago de Compostela.

ANTES

AGORA

Se para alguns penafidelenses estamos em presença de forças sobrenaturais, outros pensam que isto não passa de puro ilusionismo.

-Assim vai o mundo!

06 dezembro 2018

A CAMINHO DO NATAL

A CAMINHO DO NATAL



Até ao dia de hoje, a iluminação colocada no cimo da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda continua apagada, e o que é mais grave é que os lampiões que ladeiam a Igreja também não acendem.

Perante tal situação, podemos concluir que o Largo nesta época de Natal, tem menos luz que o normal, o que em nada dignifica a dita “Cidade Natal”.

Pode ser que perante este alerta, alguém tome as medidas necessárias, para dar mais luz a este recanto da cidade.

Estou plenamente convencido que os organizadores destas iluminações natalícias, não têm conhecimento desta situação, pois não me passa pela cabeça que alguém tenha colocado esta iluminação “para inglês ver”, que neste caso poderia ser para penafidelenses não verem a funcionar.

Mas com mais ou menos luz, lá vamos nós no comboio da vida a caminho do Natal.


30 novembro 2018

A PRAÇA DE TOUROS DE PENAFIEL

A PRAÇA DE TOUROS DE PENAFIEL



A Empreza da Praça de Touros de Penafiel, Lda., foi constituída por escritura no mês de Fevereiro de 1930, no cartório do notário José da Silva de Carvalho, nesta cidade de Penafiel.

Empreza da Praça de Touros de Penafiel, Lda

Para os devidos efeitos, se torna público que, por escritura de 4 de Fevereiro do corrente ano, nas notas do cartório do notário desta comarca, José da Silva Carvalho, foi constituída entre Dona Hermínia Guedes Malheiro Figueiredo, Dona Alzira Maldonado Matos Cordeiro, José Aires Gomes e Ângelo Beça, uma sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, nos termos dos artigos seguintes:

1.º

Esta sociedade adopta a denominação de de Empreza da Praça de Touros de Penafiel, Lda, tendo a sua sede nesta cidade de Penafiel e seu escritório na Praça Municipal N.º 12 e 14 provisoriamente.

2.º

O seu objectivo é a construção e exploração de uma praça, nesta cidade, para corridas de touros e outros diversões.

3.º

A sua duração é por tempo indeterminado e, para todos os efeitos, o seu começo se contará de hoje.

4.º

O capital social é de 60.000$00 escudos, e sendo a quota de cada um dos sócios de 15.000$00, já integralmente pagos, o que, para todos os efeitos legais, expressamente declaram e poderá, o mesmo capital ser aumentado por deliberação por deliberação unânime dos sócios.

5.º

A cessão de quotas fica dependente do consentimento da sociedade, à qual se reserva, contudo, direito de preferência,

6.º

A sociedade será representada em juízo e fora dele, activa e passivamente, pelos seus quatro sócios, que todos ficam sendo gerentes, sendo necessário para a sociedade ficar obrigada que os respectivos documentos sejam assinados em nome dela, por todos os sócios.

7.º

Os balanços fechar-se-ão em 31 de Dezembro de cada ano social, digo ano.

8.º

Dos lucros líquidos apurados em cada balanço, separar-se-á primeiro a percentagem de dez por cento para fundo de reserva, e o restante será dividido pelos sócios na proporção das suas respectivas quotas.

9.º

A caixa fica a cargo do sócio Dona Hermínia Guedes Malheiro Figueiredo.

10.º

Em todo o omisso regularão as disposições da Lei de 11 de Abril de 1901, e mais legislação aplicável.

Penafiel, 10 de Fevereiro de 1930
O notário
José da Silva Carvalho

A Praça de Touros foi construída em madeira nos terrenos onde hoje se encontra o Centro Escolar de Penafiel, na Rua Abílio Miranda.

A sua planta, saiu das mãos do desenhador sr. Domingos Vilela e comportava cerca de 6.000 lugares, servindo também para espectáculos equestres, cinematográficos e combates de boxe.

Depois da papelada tratada para a sua legalização, a empresa não perde tempo para iniciar a construção da Praça de Touros e torna público no dia 11 de Fevereiro, que até ás 14 horas do dia 19 de Fevereiro de 1930, recebe propostas em carta fechada para a arrematação da empreitada da praça.

A planta e o caderno de encargos encontram-se patentes, desde o dia 16 de Fevereiro, no seu escritório à Praça Municipal, 12 e 14.

Depois de concluída a terraplanagem do terreno destinado à Praça de Touros, no dia 3 de Março de 1930, dá-se início à sua construção, a cargo do mestre de obras sr. Francisco de Sousa de Penafiel.



Dentro do cartaz das Festas do Corpo de Deus, do ano de 1930, no dia 19 de Junho com a praça completamente cheia, dá-se início à tourada inaugural com o seguinte cartel:



Cavaleiros – José Casimiro e seus filhos Manoel e José.



Bandarilheiros – Agostinho Coelho, Francisco Gonçalves, Rafael Gonçalves, António Dias, Júlio Procópio e o espanhol Jerónimo Pla Flores.

Grupo de forcados – Edmundo Oliveira de Santarém.

Os touros foram fornecidos pelo conhecido e considerado criador Moreira Neves de Santarém.



A esta primeira corrida de touros assistiram para além das autoridades civis e militares locais, também marcaram presença o Governador Civil do Porto, o Comandante da 1.ª Região Militar, os excelentíssimos ministros do Interior, António Lopes Mateus, da Justiça, Luís Maria Lopes da Fonseca, do Comércio, João Antunes Guimarães e da Agricultura, Henrique Linhares de Lima, que vieram a Penafiel inaugurar diferentes melhoramentos levados a cabo pela Câmara de Penafiel.

No Norte do país, as touradas não têm grande implantação, e estes espectáculos acarretam grandes despesas, pelo que a Empreza de Touros de Penafiel, Lda., não fugiu à sua sentença de morte, sendo a Praça de Touros vendida no dia 17 de Novembro de 1935.

A Empreza encerrou as suas portas em Julho do ano seguinte.

Empreza de Touros de Penafiel, Lda

Para os devidos efeitos se publica que, por escritura lavrada hoje nas notas do notário dr. Joaquim Peixoto, desta cidade, foi dissolvida, por mútuo acordo dos sócios, a Sociedade por quotas, que sobre aquela firma Empreza de Touros de Penafiel, Lda, girava e tinha a sua sede nesta cidade.

Penafiel, 18 de Julho de 1936

O ajudante do notário dr. Joaquim Peixoto
António de Freitas Cardoso


Aqui fica um pouco da vida efémera da Praça de Touros de Penafiel.


Ao contrário do Manuel da Praça da Canção, que agora deu-lhe para defender a Praça de Touros, a única “Tourada” de que eu gosto, é aquela cantada por Fernando Tordo e escrita por José Carlos Ary dos Santos, e que venceu o Festival da Canção de 1973, tendo feito uma “chicuelina” à censura.

Afinal de contas, ontem como hoje, “toureamos ombro a ombro as feras”, como dizia a canção.


16 novembro 2018

FOTO COM HISTÓRIA

VIOLEIRO NO S. MARTINHO
FOTO COM HISTÓRIA



Esta foto foi tirada à tenda do violeiro Domingos Machado, na Feira de S. Martinho de 1962, em frente à Assembleia Penafidelense.

Domingos Machado nasceu em Aveleda, concelho de Braga, a 7 de Abril de 1936.




O artesão Domingos Martins Machado aprendeu na oficina de seu pai (Domingos Manuel Machado) a arte de fabricar instrumentos. Na época do seu pai o forte dos instrumentos fabricados eram cavaquinhos e as violas braguesas. A obra efectuada era vendida nas feiras. As guitarras e os bandolins era raro fazerem-se , mas as casas comerciais preferiam estes instrumentos. Naquela altura, havia muita concorrência, os Machado tinham por isso que fazer mais obra para a vender a um preço mais acessível. Um cavaquinho custava cerca de dezoito escudos.

Foi considerado o melhor artesão aqui no Norte a executar violas campaniças, beiroas, toeiras, braguesa, Amarantinas com os dois corações, cavaquinhos e muitos outros instrumentos.

Os seus trabalhos ganharam fama e tornaram-se conhecido a nível nacional e internacional.



Muitas dos seus instrumentos são adquiridos por diversos coleccionadores nacionais e internacionais; para músicos profissionais como Júlio Pereira, Janita Salomé , Ana Faria, José Mário Branco, Pedro Barroso, vários grupos de musica popular procuram-no , como, por exemplo : Cantares do Minho, Maio Moço, Terra Brava (Santarém), Erva Doce (Loulé), etc.
Tunas académicas, salientando as de Braga, Aveiro, Vila Nova de Famalicão , Viana do Castelo, Vila Real e Faro.
Tem também inúmeras encomendas para orquestras típicas, nomeadamente, " o cancioneiro de Águeda", (escalabitana), de Santarém, a de Águeda, de Alcanena, de Rio Maior, Castelo Branco (Albicastrense), de Mira D'Aire e de Vila Nova de Ourém.



George Harrison, um dos ex-Beatles, adquiriu uma viola feita por Mestre Machado.


Pela oficina passaram personalidades nacionais e internacionais reconhecidas no mundo da música, como Amália Rodrigues, Oliver Serrano, Donovan, António Chainho e Rão Kyao.

Cedeu a Oliver Serrano, primeiro produtor dos Beatles, alguns instrumentos da sua colecção (em 20-10-1990). Como agradecimento , o seu nome sai em dois Cds, com a seguinte dedicatória: "Very special thanks to Domingos Martins Machado".




O Museu de Cordofones Domingos Machado, fica situado na Av. António Gomes Pereira, nº. 13 Tebosa – Braga, e foi inaugurado em Setembro de 1995.


É um museu privado, fruto do trabalho e dedicação do seu proprietário, Domingos Martins Machado, reputado artesão violeiro que, a expensas próprias e sem qualquer ajuda, quer oficial quer particular, o edificou e recheou com a mais completa colecção de cordofones portugueses, que ele próprio construiu.


Se um dia o pensar visitar aqui ficam algumas informações que lhe são úteis:

Horário:
De 2ª a Sábado das 09h00 às 12h00 / das 14h00 às 19h00

Preço:
Entrada Gratuita
Marcação prévia para grupos



Contacto: - 253 673 855





Esta foto aparece publicada no livro Instrumentos Musicais Portugueses do Etnólogo, Doutor Ernesto Veiga de Oliveira e num pequeno livrete extraído desse mesmo livro que acompanha o LP Cavaquinho de Júlio Pereira.

Para mim esta foto não é mais uma de S. Martinhos passados, mas trata-se de uma fotografia que faz parte da vida de Domingos Machado, um Homem que edificou e recheou com o seu trabalho o seu próprio museu, coisa rara se não única neste país.