MEIA BOLA E FORÇA
MEIA BOLA E FORÇA
Já não me lembra de ter ido assistir ao vivo a um desafio de futebol. Para mim, o futebol deixou de ser um desporto para ser uma indústria, onde giram milhões.
Causa-me apreensão como é possível ser preciso tanto policiamento para conduzirem as claques aos estádios, assim como as mesmas conseguem infiltrar nas bancadas tantos artefactos pirotécnicos apesar de proibidos.
Reconheço que para mim o futebol era uma arte para atingir o golo, mas actualmente se tornou numa ciência cada vez mais estudada e desenvolvida.
Os recintos de jogos que antigamente eram de terra batida, hoje são relvados, deixando os guarda-redes de usarem joelheiras.
A bola que dantes a câmara de ar era revestida a couro e por isso, quando chovia ficavam empapada e muito pesada, hoje em dia as bolas de futebol são fabricadas com materiais sintéticos, garantindo impermeabilidade e leveza.
As camisolas para além de serem leves, não reterem o suor, permitirem a transpiração, dando maior elasticidade e conforto ao atleta, nem sempre foram assim, ficando molhadas, coladas ao dorso pesando muito mais quando encharcadas dificultando a sua agilidade.
Estou-me a lembrar do nosso conterrâneo Soares dos Reis, guarda-redes do F. C. do Porto sendo o primeiro penafidelense a envergar a camisola das quinas.
Nesse tempo usava camisola de lã grossa, que com chuva ficava pesadona. Assim Soares dos Reis não tinha nenhum problema em levar um guarda-chuva para a baliza.
Esta foto foi tirada durante um jogo disputado em Espinho, em cujo decurso, enquanto a bola anda por longe, Soares dos Reis, sempre atento ao desenrolar do desafio, se abriga no guarda-chuva de Lopes Carneiro, seu colega de equipa, que não alinhou neste encontro.
As traves da baliza que em tempos que já lá vão eram de madeira e quadradas, hoje são redondas e de metal.
As chuteiras que dantes tinham travessas de madeira, hoje têm pitões de metal que se ajustam mais à relva.
Agora com a tecnologia, todos os clubes sabem como o seu adversário joga e aqueles que é preciso anular em campo devido a serem craques da bola.
Assim aparecem as táticas, que nada são mais que a maneira de jogar rumo à vitória. Outros só pensam em não sofrerem golos defendendo com unhas e dentes a baliza. No tempo em que ia à bola, a mesma era posta em jogo pelos guarda-redes, ou pelo defesa que marcava o pontapé de baliza com um biqueirada para colocar a bola o mais longe possível da baliza. Agora saem a jogar desde a baliza, o que a perda geralmente é fatal e desagua em golo.
Os árbitros agora ajudados ou não pelo VAR, ontem como hoje levam com todos os impropérios do nosso léxito da malcriadez, sendo por vezes os culpados das derrotas.
Vemos alguns jogadores que por tudo e por nada beijam o emblema, como se amassem o clube acima de tudo, mas com o agitar de milhares de euros, nada nos garante que na época seguinte não enverguem outra camisola.
Aquele jogador que jogava por amor à camisola (como o grande capitão do F. C. de Penafiel Silva Pereira), desapareceu das Ligas, podendo ainda ser visível nos campeonatos regionais, onde ainda se abafam as derrotas e festejam as vitórias com um copo de vinho na tasca mais próxima que por vezes é o bar do próprio clube, acompanhado de algum apeguilho no pão.
A uniformização é transversal e em todo o lado o treinador passou a mister, o avançado centro a ponta de lança, e até fora das 4 linhas apareceram os apanha bolas. Embora não joguem propriamente dito, também fazem parte da tática do jogo retardando a entrega da mesma à equipa adversária caso o resultado esteja a nosso favor, entrega rápida quando não se pode perder mais tempo, ou então desaparecem para queimar o máximo de tempo na reposição da bola em jogo.
Como vêm, tudo isto é estudado ao pormenor, pois longe vai o tempo da meia bola e força.
Fernando Oliveira – Furriel de Junho






















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