01 novembro 2026

FREI INÁCIO DE SÃO CAETANO DO BERÇO A BISPO DE PENAFIEL

 

DADOS BIOGRÁFICOS DE

FREI INÁCIO DE SÃO CAETANO

DO BERÇO A BISPO DE PENAFIEL

 


Nome: Inácio de São Caetano

O nome dado ao menino deve-se ao facto de no dia 31 de julho a Igreja Católica comemorar Santo Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus e no dia 7 de agosto, data do Batismo de Inácio, a Igreja celebra São Caetano de Thiene.


Data de Nascimento: 31 de Julho de 1718

José Timóteo Montalvão Machado, consultando o assento de baptismo de Inácio, concluiu que o ano de nascimento é 1718 e não 1719 como aparece na biografia escrita por Manuel de Santo Ambrósio.


Filiação: Pai - Pedro Alvares Teixeira

Mãe - Izabel Rodrigues


Naturalidade: Chaves – Rua Portas de Sima


1718 - Baptizado: Na Igreja da Senhora da Assunção, em Chaves no dia 7 de Agosto de 1718, sendo padrinho Bartolomeu Gonçalves e madrinha Isabel Moraes


Com um mestre contratado pelo pai, aprendeu depressa a ler e a escrever


1732 - Vida Militar: assentou praça no Terço de Infantaria no quartel de Chaves.


Inácio não gostou da vida militar, e logo que teve oportunidade zarpou para Salamanca, Espanha. Regressou a casa e comunicou a seu pai que queria seguir a carreira eclesiástica seguindo o exemplo dos seus 4 irmãos.


1734 - Prossegue os estudos em Chaves, onde se notabilizou na disciplina de Latim.


1735 – Inácio de São Caetano, no dia 5 de Janeiro, tomou o hábito carmelita como Noviciado no Convento dos Remédios em Lisboa.


1736 – No mês de Outubro, o jovem religioso Inácio de São Caetano parte para Évora, para o Colégio de Nossa Senhora dos Remédios, para prosseguir os estudos nas Artes e em Filosofia.


1739 – Inácio é transferido em Outubro para o Colégio de S. José dos Marianos, em Coimbra, para dar início ao estudo da Teologia.


1742 – Torna-se Mestre em Teologia, tendo sido ordenado presbítero pelo Bispo de Coimbra D. Miguel da Anunciação a 8 de Setembro, permanecendo neste colégio de Coimbra até 1745.


1745 - Inácio de São Caetano vai para o Colégio de Nossa Senhora do Carmo, em Braga, onde ensinará a cadeira de Sagrada Escritura, e é nomeado Examinador Sinodal da Arquidiocese bracarense .


1754 – No dia 10 de Junho, Inácio de São Caetano, toma posse como Prior do Colégio de Nossa Senhora do Carmo.


1756 – Celebrou-se no Colégio de S. José, em Coimbra o Capítulo Provincial, sendo Frei Inácio de São Caetano eleito primeiro substituto dos sócios para ir ao Capítulo Geral que se realizará no dia 31 de Janeiro de 1757, em São Pedro de Pastrana.


1757 – Regressa a Lisboa a 19 de Junho onde tomou posse como Prior do Convento de S. João da Cruz em Carnide.


1759 – No mês de Fevereiro, o carmelita descalço, Frei Inácio de S. Caetano. apresenta-se diante do Marquês de Pombal, na Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, onde lhe é comunicada a vontade de D. José, que seja o confessor da Rainha D. Mariana Vitória de Bourbon e de suas filhas Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, que assumiu com a morte de D.José I o trono de Portugal como D. Maria I Rainha de Portugal, D. Maria Ana Francisca, D. Maria Francisca Doroteia e Maria Francisca Benedita. Frei Inácio aceita tal pedido, e parte para Salvaterra de Magos, onde viviam a Princesa e as Infantas. 

 


1768 – A 5 de Abril de 1768, foi criada a Real Mesa Censória, para controlo e vigilância dos livros publicados em Portugal, e a 9 de abril de 1768, Inácio de São Caetano é nomeado pelo Rei D. José I, deputado da Real Mesa Censória, e empossado a 29 do mesmo mês, subtraindo assim estas funções do Santo Ofício onde Inácio já era censor. 

 

 



1770 - A desavença entre a Coroa portuguesa e o bispo do Porto no reinado de D. José I insere-se no braço de ferro político promovido pelo ministro Marquês de Pombal contra os privilégios da Igreja. Arrifana de Sousa que tinha sido elevada à categoria de vila em março de 1741, por decreto do rei D. João V, mais tarde, em 3 de março de 1770, a vila foi elevada a cidade pelo rei D. José I, passando a designar-se Penafiel. A 1 de junho de 1770 pelo Papa Clemente XIV, a pedido do Marquês de Pombal, foi criada a Diocese de Penafiel, que abrangia grande parte do território da Diocese do Porto. A sua extensão abrangia os concelhos de Penafiel,Paredes,Lousada, Paços de Ferreira, Amarante, Marco de Canaveses, Valongo, Gondomar e uma parte do Porto Campanhã, sendo nomeado Bispo de Penafiel D. Frei Inácio de São Caetano, embora este nunca tenha administrado a diocese por se manter em Lisboa como confessor da princesa D. Maria.


1778 – 7 de Dezembro, Frei Inácio de São Caetano renuncia ao bispado de Penafiel, sendo a diocese extinta e reincorporada na Diocese do Porto.

 

 

Assim ficamos a saber que Penafiel já foi diocese, já teve um Bispo nomeado para tal que nunca cá pôs os pés, e por causa destas desavenças entre o Marquês de Pombal e a Igreja, nasceu a cidade de Penafiel em 3 de Março de 1770.


O Paço onde o Bispo de Penafiel devia ter morado ainda hoje existe, e lá está instalada a CESPU (Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário), com o Curso de Licenciatura em Enfermagem, e continua a dar o nome à rua, do Paço que nunca funcionou como tal.


Fernando Oliveira – Furriel de Junh

01 outubro 2026

AS PEIXEIRAS E A PRAÇA

 

AS PEIXEIRAS E A PRAÇA




Mal rompia o dia, já a carrinha de caixa aberta ia a caminho da lota de Matosinhos para carregar, o peixe destinado ao mercado de Penafiel.

Na Praça do Mercado as mangueiras limpavam as bancas do peixe, com a força da água, sob o olhar atento do Sr. Monteiro da Sardinha, do Presidente da Câmara Sr. Coronel Fontes e do sr. Belo guarda do mercado.




As peixeiras iam chegando e acertando contas com o Sr. Monteiro, do peixe levado para a venda do dia anterior e apontado no livro dos fiados.

As peixeiras trajavam saia e blusa geralmente de cor preta, usavam um xaile traçado nos ombros, um avental de chita onde guardavam o apuro do dia e os trocos. Nos pés usavam meias grossas e calçavam socas.




Lenços atados sob os queixos cruzados à cabeça, e sobre ele rodilhas de pano que amparavam o peso da canastra de madeira onde transportava o peixe pelas ruas da cidade.

Suportavam à cabeça pesos consideráveis, expostas ao sol e à chuva e ao vento, percorrendo as ruas e vielas da cidade, mantendo viva uma economia familiar quase invisível, mas vital para a sua subsistência.




Partiam manhã cedo da Praça do Mercado para garantirem ás freguesas o peixe do dia.

A sua presença era feita por pregões como: Chamando a clientela com “Ó freguesa venha ver”, “ Sardinha Fresquinha” ou para anunciar que o peixe era mesmo fresco nada melhor que a “Sardinha vivinha”,

Na canastra o forte era a sardinha, principalmente no mês de Junho quando se festejam com sardinhadas os santos populares (dia 13 o Santo António, 24 o S. João e o S. Pedro a 29). O carapau e a faneca também eram peixes diários, mas a pescada só por encomenda devido ao seu elevado preço.




A peixeira Maria da Luz que vemos na foto, volta e meia para além da canastra à cabeça, aparecia com esta cesta de vime nos braços, que transportava ameijoas para a venda.

Com o aparecimento das grandes superfícies comerciais, esta vivência desapareceu e com ela todo o quadro humano, a voz de um povo que sabia levar o sustento ao coração da cidade.

E para recordar-mos esses tempo idos, ficam-nos as fotos antigas que o registaram.




Se antigamente a sardinha foi a única proteína acessível à maioria da população portuguesa, consumida pelas classes pobres da sociedade, e mesmo assim a tinha que repartir tal era a miséria que grassava neste país, hoje está pela hora da morte.




A Praça do Mercado desapareceu para dar lugar a uma grande argamassa de cimento, as peixeiras com os seus pregões pertencem ao passado, tudo isto dando lugar a bancas carregadas de gelo com o peixe exposto nos super mercados, mas sem a beleza e o encanto que tinha a nossa Praça.


Mas como escrevia Camões, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.


Hoje a peixeirada nacional, filiada em várias confrarias, reúnem-se regularmente em S. Bento. Insultam-se com os seus pregões, enquanto apregoam peixe podre por bom, tentando impingir o seu produto como o melhor do mundo, embora todos sabemos que não passa do prato do dia cozinhado pelo Mestre André, no restaurante Monte Negro. Não sei o que lhe passou pela tola, que ao dar uma cambalhota acrobática na cozinha, não só virou o estrugido, estragou o cozinhado, como entornou todo o conteúdo do Pacote do Luís.


-Pois é! - Há males que vêm por bem.


Fernando Oliveira – Furriel de Junho

01 setembro 2026

HOMENAGENS A ESTAS MÃES

 

HOMENAGENS A ESTAS MÃES





Quero homenagear todas as mães que viram durante os anos 60 e 70 os seus filhos a partirem para a Guerra Colonial.

Muitos jovens cumpriram o Serviço Militar Obrigatório, e a maior parte deles foi lançado neste conflito em África, melhor dizendo em Angola, Guiné e Moçambique.

Podem crer a única coisa boa que se extrai desses tempos de tropa é a amizade que se cria com malta que não conhecíamos de lado nenhum e que nos marcam para a vida neste percurso que se estende desde o embarque até ao regresso da guerra.

Estando eu já em Sacavém, e numa certa quinta-feira dia em que saíam as mobilizações, na lista lá vinha o meu nome para Angola.

Fiquei triste como todos os outros e quando vim a casa disse-o à minha Mãe, que não acreditou. De cada vez que o embarque era adiado e vinha de fim de semana a casa, à saída despedia-me como se fosse a última, mas para ela era sempre um até já.




Estas mulheres viram os seus filhos partirem, entre lágrimas, beijos e gritos dos corações despedaçados, cuja dor nunca mais as abandonou.





Zé Luís mestre na Escola Industrial de Penafiel, na sua poesia, descrevia a Despedida.

Vi-a...

De xaile sobre os ombros

só,

na tristeza dos escombros

do cais à beira-mar.



Que amargo interior,

que dor profunda a dela

e que calma no seu rosto,

sem lágrimas,

nem rugas na cara

alteradas

pela comoção

ou os dedos crispados

na carne de suas mãos!...

 

Estática,

como rocha do mar,

ela é um gesso escultural

erguido ao sofrimento,

onde traços de vida

são apenas seus cabelos,

brancos e pretos,

dispersos pelo vento

na solidão

no cais à beira-mar!...



O navio, barra fora,

leva seu trilho

rumo à distância

às lutas

ao Ultramar,

mas no coração

daquela pobre mãe

ficou seu filho.





Os filhos daquelas mães, agora combatentes, gravavam na memória o último sorriso brotado no último instante do adeus dos pais, dos irmãos ou irmãs e das namoradas, enquanto os lenços brancos acenavam, um gesto repetitivo em todos os embarques.

Estas mães daqueles filhos paridos com dor, criados com amor, com a esperança de os verem serem homens, pais capazes de lhes darem os netos ansiados, iam para a guerra e todos os sonhos de vida ficavam adiados por vezes interrompidos para sempre.

É claro que a figura da mãe estava sempre presente no espírito dos soldados. Mas eles raramente falavam nela, a não ser quando diziam, meio a sério, meio a brincar: "É para isto que uma mãe cria um filho".




 

De resto, um homem que é homem não se punha a chorar saudades da sua mãe diante de toda a gente, mas à noite na caserna, todos vertiam silenciosas lágrimas de saudade das suas mães, enquanto escreviam o aerograma, que para não as afligirem, lá lhe diziam que estava tudo bem, mesmo quando assim não era.




Aqui na terra no jornal “Notícias de Penafiel” havia uma página dedicada aos penafidelenses que se encontravam na Guerra Colonial com o título “AQUI É PORTUGAL” onde se reproduziam cartas enviadas pelos soldados. É numa destas páginas que retirei estes versos do soldado corneteiro 260/68, Alberto da Rocha Rodrigues, dedicados à sua Mãe.

Embora com falta de métrica e rima por vezes falhada, são versos sentidos que interpretam a voz do seu coração:

A Ti minha Mãe 

 

Oh minha Mãe adorada,

Como te quero tanto,

Para este teu filho,

Tu és o maior encanto


Eu te quero tanto,

Mãezinha querida,

és a joia mais bela,

de toda a minha vida


Em ti vivo a pensar,

Nesta longa solidão,

Oh! Mãe, trago-te sempre

No fundo do meu coração.


Se há momentos bons,

Na vida que estou a passar.

Para mim só são aqueles,

Em que te estou a recordar.


Quantas vezes eu recordo,

O dia da minha partida,

Havia uma santa em lágrimas

Eras tu minha mãezinha

 

Eu a a Deus por ti peço,

Não chores querida Mãe,

No dia do meu regresso,

A alegria voltará também


Estas quadras a ti dediquei,

Com todo o meu amor e carinho,

Do teu filho sempre querido

Recebe um terno beijinho.




Agora vou falar de outro tipo de mães que esta guerra criou, cujos filhos têm pais portugueses e mãe africana.

Estes eram transportados ás costas das mães, enquanto trabalhavam a terra, ou lavavam a roupa dos soldados no rio e viviam em palhotas.




Por vezes, colonizador e colonizada se “apaixonavam”, com a promessa de um casamento que no final da comissão era traída; outras vezes, elas lhes ofereciam serviços sexuais em troca de dinheiro ou comida, para amenizar a miséria que por lá graçava.




No final da guerra, muitas destas mães refizeram a sua vida, e no bilhete de identidade destes meninos não aparece o nome do pai biológico, mas do pai que o criou.

Mas se os sobrenomes podiam esconder a origem portuguesa, a cor da pele a denunciava, sendo apelidados de “filhos de tuga”.



Vila de Ribeirão - Vila Nova de Famalicão


Bem sei que na minha terra natal, nunca irá ser erigido um monumento às mães dos penafidelenses que estiveram na Guerra Colonial, quando se limita a ter uma chapa colocada no chão com os nomes dos conterrâneos mortos nesta mesma guerra.

Mas pelo menos em Cerveira e na Vila de Ribeirão (Vila Nova de Famalicão), existe um monumento ás mães que viram os seus filhos a irem para a Guerra nas ditas Províncias Ultramarinas da Guiné, Angola e Moçambique.

Nós por cá, temos um monumento ás Invasões Francesas, talvez para encobrir quem sabe a rendição do município de Penafiel.

Bem sei que os meninos de hoje, não foram à guerra, confundem instrução com cultura, destroem património municipal como quem apaga o passado que para eles é indiferente, que ter uma chapa no chão ou ao nível dos olhos (como devia ser), com os nomes dos filhos da terra que tombaram na Guerra Colonial, para eles é igual, e pronto, assim vai o mundo, com actualidades da santa terrinha que muitos apelidam de melhor do mundo, mas que nós bem sabemos que é tudo falso, mas de fato e gravata, com discursos circunstanciais e sorrisos fáceis, lá vão alimentando a mania das grandezas.

Fernando Oliveira – Furriel de Junho

01 agosto 2026

COISAS DA RÁDIO DO ANTIGAMENTE

 

COISAS DA RÁDIO

DO ANTIGAMENTE




Aos domingos de manhã, saía de casa em direcção à Igreja Matriz, com o catecismo na mão.

Pelo caminho, em muitas casas, os rádios tocavam alto e bom som, que subia a rua até se entranhar nos ouvidos das pessoas que por lá passavam.


Entrava na Igreja e lá me sentava à beira dos colegas, num banco corrido junto ao altar de Nossa Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal, proclamada pelo rei D. João IV. Nesse tempo a celebração era a 8 de Dezembro, sendo feriado e Dia da Mãe.


A catequista lá ia ensinando a Doutrina Cristã, que decorávamos e lá íamos respondendo quando questionados, preparando-nos desta forma para a Comunhão Solene. No final assistíamos à missa das 10 horas e depois regressávamos a casa.




Pelo caminho lá estavam os rádios com as goelas no máximo, todas elas sintonizadas nos Emissores do Norte Reunidos, onde transmitiam em directo do Teatro Vale Formoso, situado na Rua Costa Cabral, na cidade do Porto, o programa Festival.




Ao passar junto a um deles, a dona lá me informou que estava a cantar a Maria de Fátima conhecida pelo Passarinho do Festival devido à sua tenra idade e a seguir ia cantar o nosso Fozcôa melhor dizendo Emílio dos Santos. E lá cheguei atrasado da hora habitual a casa, pois não podia deixar de ouvir o amigo que por vezes animava os leilões do Menino Jesus, aos domingos de tarde no Recreatório Paroquial.




Também, nesse tempo, faziam história dois programas humorísticos.

Da capital vinham “Os Parodiantes de Lisboa”, grupo fundado em 18 de Março de 1947, cujo primeiro programa foi transmitido pela Rádio Peninsular, que ia para o ar às Terças-feiras, pelas 20 horas e chamava-se “Parada da Paródia.




Com a permissão de publicidade radiofónica no começo de 1949, a vida dos Parodiantes mudou muito. Nesse mesmo ano, foi para o ar, através das antenas do Rádio Clube Português, o programa " Graça com Todos”, transmitido diariamente à hora do almoço 13 horas, e eram famosos pelos sketches como a dupla de detectives Patilhas (José Andrade), e o ajudante Ventoinha (Rui Andrade), Rádio Crime, o menino Arnestinho, o Delicadinho da Silva, o Compadre Alentejano, Meia Bola e Força, Manas Catatua, entre outros.





Já do Porto vinha a “Voz dos Ridículos”, com o slogan “A Voz dos Ridículos fala e o mundo acredita e ri”.


A equipa fundadora incluía nomes como João Manuel Antão, Castro Maia, Bê Veludo e o grande imitador Mena Matos.


O programa que misturava o humor, sátira e crítica social, à moda do Porto, era transmitido aos domingos entre as 13 e as 14 horas, o programa “Dos Fracos Não Reza a História”, com repetições em vários dias da semana.





Começou a ser transmitido na estação portuense Rádio Clube a 17 de Abril de 1945 e terminou na Rádio Festival a 25 de Julho de 2013.




Algumas expressões ficaram até hoje nas nossas vidas como: “Trabalha dedo, não tenhas medo”, “Pincha Malaquias, Pincha”, “Afinfa-lhe”, “Olha o boneco”, “Escacha o pessegueiro”, “Rebimba o malho”, e “O Bigodes de arame”, etc..



Outro fenómeno eram as novelas radiofónicas, sendo a de maior sucesso Simplesmente Maria, transmitida pela Rádio Renascença das 13h30 às 14h30, sendo a música do genérico interpretada por Tonicha.


O enredo baseara-se numa rapariga de 20 anos, Maria Ramos, analfabeta e com oito irmãos, que chega a Lisboa vinda de uma pequena aldeia para trabalhar como criada de servir, enviando todo o dinheiro ganho para a família. Durante a sua estadia na cidade, Maria conhece Alberto, jovem de uma família abastada a concluir os estudos em medicina. O romance entre eles floresce, resultando numa gravidez e no nascimento de um filho chamado Tony. Enquanto Teresa, empregada doméstica como Maria, oferece conselhos e orientações sobre a sua relação com a patroa, Carlos, amigo de Alberto, graceja sobre os avanços da conquista de Alberto. A família de Alberto rejeita o romance, forçando-o a partir para África.


Como não podia deixar de ser, depois de muitos sacrifícios, o casal Maria e Alberto consolida a sua relação, superando todas as barreiras sociais à época.






Agora passando à música, onde o Nacional Cançonetismo e o fado tomavam conta das emissoras, e o Zeca e o Adriano tocavam por aí à socapa, apareceu na Rádio Renascença uma lufada de ar fresco com o Programa “Página Um” de José Manuel Nunes, das 19h30m às 21h, que abria com o tema Page One do Grupo Portuense Pop Five Music Incorporated.


Era o tempo do Yé Yé, e por lá passaram The Beatles, os Stones, Shadows, Creedence Clearwater Revival, Joan Baez, Leonardo Choen, Chico Buarque, Elis Regina, Patxi Andion, Aguaviva, e os portugueses Sheiks, os Chinchilas, Gemini, Conjunto Académico João Paulo, Green Windows, Quinteto Académico, Quarteto 1111 que aparecia a cantar em português, e o Pop Five entre outros.


Estes quatro últimos chegaram a actuar na Festa do Lago em Penafiel.





Enquanto isto se ouvia nas nossas rádios, do lado oposto da Av. da Liberdade, o "S"inaleiro no cimo do seu palanque, mandava todos seguirem pela direita, como acontece com a maioria nos dias de hoje, mesmo sem sinaleiro, e depois de mais de meio século do 25 de Abril.


Fernando Oliveira – Furriel de Junho

28 julho 2026

OS MORTOS QUE FALTAM

 OS MORTOS QUE FALTAM




O site dos Veteranos de Guerra do Ultramar, está a fazer um excelente trabalho, sobre os soldados portugueses mortos desde 1954, ou seja desde a Invasão da Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu), até aos restantes pedaços de chão que eram Portugal até 1975.


As listagens são apresentadas por concelhos, por ordem alfabética, pelo que tive de ir para a letra P para aceder à listagem dos mortos do concelho de Penafiel.


Começa pelo nome, local e freguesia donde era natural, concelho, posto militar, ramo das forças armadas, quartel onde foi mobilizado, teatro de operações, unidade operacional, causa da morte, data da morte, local de sepultura.


Acontece que nessa listagem aparecem dois penafidelenses, que não constam na placa colocada no chão junto ao Monumentos aos Mortos da Grande Guerra, na Praça do Município.

 



São eles:


ALEXANDRE DA CUNHA

Natural de Alegria - Cabeça Santa - Penafiel – Furriel de Inf At - fazendo parte da Unidade Operacional BCac159 (CCS) – Angola, faleceu no dia 22.09.63, estando sepultado no cemitério de Malanje, próximo da capela, placa 2115


VICTOR DA SILVA PEREIRA

Natural de Sebolido - Penafiel - 1ºCabo 05292967 - Pelotão da PM2027 – Macau, morre em 26.10.68 - Sepultado na sua freguesia


Evidentemente que não venho reclamar que os seus nomes, sejam acrescentados à dita placa colocada no chão com os penafidelenses mortos no ultramar, porque já basta o esquecimento a que são votados, pois apenas são colocadas coroas de flores aos mortos da Grande Guerra em datas a que a eles e somente a eles dizem respeito.  

Mas se um dia se lembrarem do colocar uma placa com o nome deste penafidelenses que perderam a vida na Guerra Colonial ao nível dos nossos olhos, não se esqueçam de acrescentarem estes dois.


Enquanto não houver tal dignidade, deixem rolar como está, já que são menos dois a serem desrespeitados.


Fernando Oliveira – Furriel de Junho


01 julho 2026

MEIA BOLA E FORÇA

 

MEIA BOLA E FORÇA



Já não me lembra de ter ido assistir ao vivo a um desafio de futebol. Para mim, o futebol deixou de ser um desporto para ser uma indústria, onde giram milhões.


Causa-me apreensão como é possível ser preciso tanto policiamento para conduzirem as claques aos estádios, assim como as mesmas conseguem infiltrar nas bancadas tantos artefactos pirotécnicos apesar de proibidos.


Reconheço que para mim o futebol era uma arte para atingir o golo, mas actualmente se tornou numa ciência cada vez mais estudada e desenvolvida.




Os recintos de jogos que antigamente eram de terra batida, hoje são relvados, deixando os guarda-redes de usarem joelheiras.






A bola que dantes a câmara de ar era revestida a couro e por isso, quando chovia ficavam empapada e muito pesada, hoje em dia as bolas de futebol são fabricadas com materiais sintéticos, garantindo impermeabilidade e leveza.


As camisolas para além de serem leves, não reterem o suor, permitirem a transpiração, dando maior elasticidade e conforto ao atleta, nem sempre foram assim, ficando molhadas, coladas ao dorso pesando muito mais quando encharcadas dificultando a sua agilidade.




Estou-me a lembrar do nosso conterrâneo Soares dos Reis, guarda-redes do F. C. do Porto sendo o primeiro penafidelense a envergar a camisola das quinas.


Nesse tempo usava camisola de lã grossa, que com chuva ficava pesadona. Assim Soares dos Reis não tinha nenhum problema em levar um guarda-chuva para a baliza.




Esta foto foi tirada durante um jogo disputado em Espinho, em cujo decurso, enquanto a bola anda por longe, Soares dos Reis, sempre atento ao desenrolar do desafio, se abriga no guarda-chuva de Lopes Carneiro, seu colega de equipa, que não alinhou neste encontro.

 





As traves da baliza que em tempos que já lá vão eram de madeira e quadradas, hoje são redondas e de metal.





As chuteiras que dantes tinham travessas de madeira, hoje têm pitões de metal que se ajustam mais à relva.





Agora com a tecnologia, todos os clubes sabem como o seu adversário joga e aqueles que é preciso anular em campo devido a serem craques da bola.





Assim aparecem as táticas, que nada são mais que a maneira de jogar rumo à vitória. Outros só pensam em não sofrerem golos defendendo com unhas e dentes a baliza. No tempo em que ia à bola, a mesma era posta em jogo pelos guarda-redes, ou pelo defesa que marcava o pontapé de baliza com um biqueirada para colocar a bola o mais longe possível da baliza. Agora saem a jogar desde a baliza, o que a perda geralmente é fatal e desagua em golo.





Os árbitros agora ajudados ou não pelo VAR, ontem como hoje levam com todos os impropérios do nosso léxito da malcriadez, sendo por vezes os culpados das derrotas.


Vemos alguns jogadores que por tudo e por nada beijam o emblema, como se amassem o clube acima de tudo, mas com o agitar de milhares de euros, nada nos garante que na época seguinte não enverguem outra camisola.




Aquele jogador que jogava por amor à camisola (como o grande capitão do F. C. de Penafiel Silva Pereira), desapareceu das Ligas, podendo ainda ser visível nos campeonatos regionais, onde ainda se abafam as derrotas e festejam as vitórias com um copo de vinho na tasca mais próxima que por vezes é o bar do próprio clube, acompanhado de algum apeguilho no pão.




A uniformização é transversal e em todo o lado o treinador passou a mister, o avançado centro a ponta de lança, e até fora das 4 linhas apareceram os apanha bolas. Embora não joguem propriamente dito, também fazem parte da tática do jogo retardando a entrega da mesma à equipa adversária caso o resultado esteja a nosso favor, entrega rápida quando não se pode perder mais tempo, ou então desaparecem para queimar o máximo de tempo na reposição da bola em jogo.



Como vêm, tudo isto é estudado ao pormenor, pois longe vai o tempo da meia bola e força.

 Fernando Oliveira – Furriel de Junho