A RUA DA MISERICÓRDIA
A RUA DA MISERICÓRDIA
Se há ruas em Penafiel que vão diminuindo o seu comprimento para dar origem a novas ruas como é o caso da Avenida Pedro Guedes que o pedaço lhe foi desanexado deu origem à Rua O Penafidelense, outras vão em sentido contrário e aumentam o seu comprimento como é o caso da Rua da Misericórdia.
Com o derrube da Casa João da Lixa em 1957, alargando a quelha aí existente, dando origem à Rua da Misericórdia a mais pequena da urbe pois que apenas tinha nada mais nada menos, o comprimento da Igreja da Misericórdia. Actualmente a placa que assinalava o fim da rua foi retirada notando-se apenas a furação onde estava afixada.
Com o derrube da casa onde funcionava no rés-do-chão a Modelar que se dedicava à venda de mobílias, com a Foto Sousa no 1.º andar, foi construído um novo prédio com o tamanho da Rua da Misericórdia antes de esta se estender, unindo agora a Rua Joaquim Cotta, à Rua do Paço tendo este aumento a delimitá-lo do Largo Padre Américo uns blocos compridos de granito em forma de paralelepípedo.
Percorrendo a Rua da Misericórdia do lado esquerdo encontramos um portão de ferro de 1875. Entrando pelo mesmo, vamos dar do lado esquerdo à sacristia da Igreja da Misericórdia, na porta em frente para o interior da Igreja e do lado direito subindo a escadaria em pedra até ao topo, do lado esquerdo, encontramos o acesso ao coro, e ao meio da escadaria do lado direito antigamente dava para os aposentos onde funcionava a Comissão Municipal de Assistência e Beneficência do Concelho de Penafiel. Para além de todo o auxílio que prestava ás pessoas pobres, na altura das férias grandes escolares era lá que se inscreviam os filhos das famílias mais desfavorecidas para as colónias de férias na Foz do Douro.
Hoje aparece uma porta de madeira pintada de verde, que dá acesso à Casa Mortuária.
Do lado contrário apareceu um novo prédio que se estendia do início ao fim da rua da Misericórdia, funcionando no seu rés-do-chão a Loja Oliva que deu lugar ao talho Conquistador e este ao Talho Meireles, na outra ponta nasceu a Agência de Viagens VAP, onde hoje está instalada a Farmácia Oliveira.
Depois temos a Casa de Pasto João da Lixa onde eram servidos almoços e jantares, e se fabricava Pão de Ló, Pão Podre e Bolinhos de Gema e outros doces, chegando a ter uma Adega na sua cave. Hoje deixou toda essa actividade sendo pura e simplesmente habitação.
No prédio situado no extremo da Rua da Misericórdia e vai desaguar na Rua do Paço e que hoje se encontra fechado, nos anos cinquenta dava-lhe vida o Grémio da Lavoura, a sede da Ala N.º 1 Extra Escolar da Mocidade Portuguesa Masculina, a Sede do Futebol Clube de Penafiel, a Comissão Reguladora do Comércio do Concelho de Penafiel, cuja função era tabelar preços de venda dos produtos de 1.ª necessidade, e racionados, estabelecendo neste caso a quantidade a que cada pessoa tinha direito.
Mais tarde foi quartel da PSP, CAE e Delegação da Liga dos Combatentes.
Se bem me lembro, e a memória não me falha, aqui fica a minha descrição desta rua da Misericórdia, que até à poucos anos era a mais pequena da cidade de Penafiel, e com este crescimento, passou esta designação para as ruas que ladeiam a Biblioteca Municipal ou seja, a Barão do Calvário e a dos Combatentes da Grande Guerra.
E pronto, assim vai o mundo, desta vez com actualidades penafidelenses.
Fernando Oliveira – Furriel de Junho