02 outubro 2013

ANÚNCIOS COM VERSOS



ANÚNCIOS COM VERSOS

Todos sabemos que hoje em dia, mais do que ter um bom produto, é necessário uma boa publicidade do mesmo, para atingir um certo nível de vendas.

E se estamos num mercado global, cada vez, as grandes marcas, deitam mão de meios difusores dos seus produtos à escala mundial.
 Mas nem sempre foi assim, e muito antes do aparecimento dos reclames a néon, ou do anúncio na rádio, existiam os jornais.

Aí, algumas casas, deitavam mão de poesia para apregoarem os seus produtos e angariarem assim mais clientes.

Hoje vou escrever sobre dois estabelecimentos penafidelenses, um que já encerrou portas e outro que mudou de dono, e continua de portas abertas mais ou menos com o mesmo ramo.

São eles a “Casa das Tortas” de António Coelho, mais conhecida à época pelo Coelho das Tortas, e a relojoaria Feijó, hoje ourivesaria Elzo Gomes, na Praça Municipal, N.º 31 - 33 em Penafiel.

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A mais antiga de Penafiel
O seu proprietário leva ao conhecimento do público que vai abrir um concurso de Prestações com Bónus de relógios de parede, mesa, pulso e bolso.
Nesta relojoaria encontra-se um completo sortido de relógios das melhores marcas a preços módicos.
Também se consertam com rapidez e perfeição, todos os relógios e esses consertos são garantidos.
Esta casa prima pela seriedade e não admite confronto.

ÀS SENHORAS E CAVALHEIROS

Vocelência quer ser chique.
Atraente, insinuante?
Corra já, muito depressa
Sem demora, num instante.

À Praça Municipal,
Mesmo ao pé do Café Lima, (a)
E compre, sem hesitar,
Um relógio marca Cyma.

Se não lhe interessa a marca
E quer outra bizarria,
É só mirar e entrar
Na Feijó Relojoaria.

E fazendo de bom gosto,
De gosto fino, um primor,
Com nota de garantido,
O que se chama um amor

Relógios de engenho e arte,
Do melhor material
Trabalho com garantia,
É como digo, tal qual.

E se também Vocelência,
Um relógio pretender,
De parede ou de algibeira,
Há de tudo pra vender.

Quer acordar manhã cedo,
Antes do galo cantar,
Com estrelas no céu
Pra sair ou embarcar?

Quer um bom despertador,
De confiança seguro,
Que acorde e não faça a parte,
Ao ouvido rijo e duro.

Venha cá quando quiser,
Sem receio, mesmo só,
Quem o atende sou eu,
O amigo certo Feijó.

(a)                – Quando se fala do Café Lima, refere-se ao Café Bar, que nesta época era seu proprietário o sr. Marques Lima e funcionava em todo o rés-do-chão do prédio desde o Nº 37 ao 43 na Praça Municipal.

A rima, por vezes nem sempre é a melhor, mas a intenção do poeta neste caso é o que conta. 

Apregoar o estabelecimento aos seus ou futuros fregueses.