02 novembro 2016

MÁRIO DE OLIVEIRA DE VISITA À SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE PENAFIEL

MÁRIO DE OLIVEIRA
DE VISITA À
SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE PENAFIEL



Depois de Mário de Oliveira ter inaugurado o busto de seu Pai Zeferino de Oliveira no parque com o seu nome, o cortejo dirigiu-se para a rua do Hospital, à qual foi dado o nome de Mário de Oliveira, tendo descerrado a lápide respectiva sua Ex.ma Esposa Sr.ª D. Lícia de Oliveira.



Dali dirigiram-se para o Hospital da Misericórdia de Penafiel, sendo aos ilustres visitantes apresentado as boas-vindas pelo Sr. Dr. Joaquim Araújo Cotta, tendo a recebê-los à entrada do edifício o seu corpo clínico constituído pelos excelentíssimos senhores doutores: Joaquim da Rocha Reis, Luís Silva e Manuel Guimarães.



Mário de Oliveira assiste à distribuição da Sopa dos Pobres, instituída e subsidiada por seu pai, e que continua sendo distribuída a expensas de Sua Ex.ª, exprimindo a sua satisfação por tão grandiosa obra humanitária.

Seguidamente procedeu-se ao lançamento da primeira pedra, nos terrenos da cerca do Hospital para a construção de um Pavilhão de isolamento, Zeferino de Oliveira.

Presidiu a esta cerimónia o Sr. Capitão Arrochela Lobo que leu o respectivo auto de lançamento que foi de seguida assinado pelo Sr. Mário de Oliveira e sua esposa D. Lícia de Oliveira, Mesa da Santa Casa, magistrados, autoridades civis e militares.

Pelas 14 horas teve lugar o banquete que pela Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, foi oferecido a Suas Excelências, o qual foi servido a cerca de sessenta convivas no Salão do Asilo António José Leal, das Crianças Desvalidas, anexo ao Hospital, tocando durante ele, no jardim do Asilo, uma excelente banda de música, a qual abrilhantou todas estas cerimónias que se realizaram neste dia 7 de Outubro de 1934.



Presidiu o Ex,mo Sr. Mário de Oliveira, tendo à sua direita o Capitão Arrochela Lobo, Presidente da Câmara de Penafiel, sua esposa D. Lícia Martins de Oliveira, Dr. Magalhães Barros, Juiz de Direito, D. Silvina Pinto e comandante do Regimento, e à sua esquerda, o Sr. Dr. Avelino Soares da comissão de festas, D. Rita Magalhães, Dr. Armando Calejo, Delegado da Comarca, D. Maria Constança e Justino Ribeiro de Carvalho; em frente sentaram-se os Srs. António José de Freitas Guimarães, Provedor da Santa Casa da Misericórdia, tendo à sua direita o Sr. Capitão Coelho dos Santos, Administrador do Concelho, Dr. Fernando Matos, e à sua esquerda o Srs. Sena Pereira, Manuel da Rocha e Melo e também a senhora D. Maria de Oliveira Mendes, irmã de Zeferino de Oliveira.

Ao estalar do champanhe, houve brindes sinceros e entusiásticos.

António José de Freitas Guimarães, zeloso Provedor da Santa Casa da Misericórdia, foi quem lhes deu início, dizendo da sua saudade pela memória de Zeferino de Oliveira, que conheceu de perto e no seu coração ocupa lugar reservado.

Os pobres, a quem tanto bem prodigalizou,  perderam nele o seu melhor benfeitor.

Ao terminar diz confiar na generosidade de Mário de Oliveira, exuberantemente já demonstrada.

Brindaram ainda os Srs. Dr. Avelino Soares, Capitão Arrochela Lobo, Dr. António Magalhães Barros Queiroz, Delegado do Procurador da República, Manuel Guedes M. e Melo, Dr. Fernando de Matos, Ângelo Neves, representante da imprensa, etc..

Mário de Oliveira agradeceu todas as saudações, e disse levar de Penafiel as mais gratas recordações de toda a sua vida.


Findo o banquete percorreram todas as dependências do hospital, achando-se plenamente encantados com a ordem e asseio em tudo revelado.

Mário de Oliveira entregou à Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, cem mil escudos legados pelo seu Pai Zeferino de Oliveira, enquanto um dos seus amigos que o acompanhava, ofereceu cinco mil escudos.

E entretanto os bronzes modestos mas expressivos do Parque Zeferino de Oliveira e do (antigo) Hospital de Penafiel (inaugurado em 1933), mostrarão no presente e nos dias mais ou menos agitados e tristes do futuro o modelo da Caridade, um homem que socorre compadecido bocas famintas e corações esfarrapados.



Infelizmente, o busto de Zeferino de Oliveira, que se encontrava em lugar de destaque (mais que merecido, já que foi o maior benemérito que até hoje apareceu em Penafiel), foi apeado e colocado numa esquina do prédio do Hospital. Ainda pensei que com estas obras de remodelação que o prédio está a sofrer, houvesse algum rebate de consciência a quem de direito, e recolocasse Zeferino de Oliveira de novo no seu lugar.



Enganei-me, afinal, para certo “Sentir Penafiel”, pelo qual não alinho o meu diapasão, o monumento de Xico Lucena, tem muito mais valor que Zeferino de Oliveira.



Enquanto a visita de Mário de Oliveira acontecia em Penafiel, o Governo português tomou a iniciativa de o condecorar com a Comenda da Ordem Militar de Cristo.

No final do dia 7 de Outubro de 1934, os ilustres visitantes recolheram ao seu solar, onde vão permanecer dois dias.

No dia seguinte, segunda-feira, 8 de Outubro de 1934, Mário de Oliveira e sua esposa Lícia de Oliveira, na companhia do Sr. Justino de Carvalho, visitaram demoradamente o Parque do Santuário, tendo admirado o panorama que dali se desfruta e com o qual se confessaram maravilhados.

À tarde visitaram o Quartel dos Bombeiros onde doaram cinco mil escudos, sendo recebidos nesta benemérita instituição pela sua direcção e pelo corpo activo, que lhe prestou as honras merecidas.



Na terça-feira antes de Mário de Oliveira e esposa se retirarem para Lisboa, foram Suas Excelências à Câmara Municipal apresentar os seus cumprimentos de despedida, tendo sido ali recebidos pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Penafiel, representantes da Mesa da Santa Casa da Misericórdia e irmandade do Santuário e outras individualidades.

Na tarde desse dia partiram Suas Excelências de automóvel para o Porto, onde tomaram o rápido para Lisboa, a fim de seguirem viagem para o Brasil.

Na estação de S. Bento, na cidade invicta, estiveram a despedirem-se de Mário de Oliveira e Lícia de Oliveira o Sr. Capitão Arrochela Lobo, Presidente da Câmara de Penafiel, Dr. Avelino Soares e Justino Ribeiro de Carvalho.

Todos os penafidelenses, desejam a Suas Excelências boa viagem e um breve e feliz regresso a esta cidade, que tão galhardamente soube cumprir o seu dever.

É nesta penafidelidade de respeito, amizade e reconhecimento por quem nos fez tanto bem, que eu me reconheço.

- E você?


Continua na próxima semana