03 janeiro 2016

NÉ LADEIRAS



NÉ LADEIRAS



Né Ladeiras (Maria da Nazaré Azevedo Sobral Ladeiras), nasceu no Porto, no dia 10 de Agosto de 1959, no seio de uma família com grandes afinidades com a música: a mãe cantava ópera, o pai tocava viola d’arco e o avô materno tocava guitarra portuguesa, braguesa, cavaquinho e instrumentos de percussão. 

Com 6 anos, participa no Festival dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz.


Né Ladeiras funda, em 1974, com diversos amigos, a Brigada Victor Jara. Numa primeira fase, juntavam-se para tocar, entre outras coisas, música latino-americana, tendo participado em diversas campanhas de animação cultural do MFA [Movimento de Forças Armadas] e de trabalho voluntário. 

O interesse do grupo pela música tradicional portuguesa só se manifesta nos últimos meses de 1976, após realizarem diversos espectáculos na Beira Baixa e aí "descobrirem" as potencialidades e qualidade da nossa tradição musical.


Em 1977, na sequência de uma actuação na FIL [Feira Internacional de Lisboa], mantêm contactos com a editora Mundo Novo (associada à editorial Caminho), para a qual gravam, durante dois dias, o álbum "Eito Fora", que é editado nesse mesmo ano. Né Ladeiras interpreta, neste disco, um dos temas mais conhecidos, "Marião" com base num tradicional de Trás-os-Montes.

No ano seguinte, Né Ladeiras participa ainda nas gravações do segundo álbum da Brigada Victor Jara intitulado "Tamborileiro". 

Em 1979, após se separar da Brigada, Né Ladeiras junta-se ao agrupamento Trovante, ainda antes de este alcançar o sucesso, com o qual grava o single "Toca a Reunir".


Na altura da gravidez do seu primeiro filho, Né Ladeiras fica em casa e é nessa altura que é convidada pelos Trovante que já andavam há muito tempo à procura de uma voz feminina. Fizeram alguns espectáculos e toda a preparação de "Baile do Bosque". Quase todas as músicas da maqueta apresentada às editoras eram cantadas por Né Ladeiras.


Entre 1980 e 1982, integra um dos projectos mais inovadores da música portuguesa, a Banda do Casaco, fundada em 1973 por Nuno Rodrigues e António Pinho (ex-Filarmónica Fraude). Né Ladeiras participa na gravação dos álbuns "No Jardim da Celeste" (em 1981) e "Também Eu" (em 1982) que incluíam alguns dos maiores sucessos do grupo, como sejam "Natação Obrigatória" e "Salvé Maravilha".


1982 - Edita o  primeiro trabalho a solo, "Alhur", pela Valentim de Carvalho. O disco, um EP (ou máxi-single) composto por quatro temas da autoria de Miguel Esteves Cardoso (letras) e Né Ladeiras (músicas), regista a participação de Ricardo Camacho na produção e dos Heróis do Mar como músicos de estúdio. "Alhur" é um disco que fala de águas, desde as águas régias do pensamento às águas salgadas dos oceanos e das lágrimas.


1984 - Sai o seu primeiro álbum, "Sonho Azul", com produção de Pedro Ayres Magalhães (membro dos Heróis do Mar e futuro mentor dos Madredeus e Resistência), que também assina as letras e partilha, com Né Ladeiras, a composição das músicas. O disco é dedicado a todas as pessoas que fizeram do cinzento um "Sonho azul" e ao filho Miguel. Dos oito temas, os que obtém maior notoriedade são: "Sonho Azul", "Em Coimbra Serei Tua" e "Tu e Eu".


1986 - Participa no Festival RTP da Canção com "Dessas Juras que se Fazem", um inédito de Carlos Tê e Rui Veloso.


1989 - "Corsária" é editado pela Transmédia em finais de 1989 com produção e arranjos de Luís Cília. As músicas são compostas por si, sendo as letras da autoria da sua amiga Alma Om. O disco não obtém uma grande divulgação, principalmente porque a editora abre falência pouco tempo após a edição do disco.


1994 -  Né Ladeiras grava, com produção de Luís Pedro Fonseca, lança o seu terceiro álbum, "Traz-os-Montes", uma produção da Almalusa com edição da EMI-Valentim de Carvalho, que resulta de dois anos de pesquisa de material relacionado com a música e a cultura tradicionais transmontanas (onde veio a descobrir raízes na família), nomeadamente as recolhas efectuadas por Michel Giacometti e por Jorge e Margot Dias.

A qualidade de temas como "Çarandilheira" e "Beijai o Menino" fazem deste disco, que é a revisitação de temas tradicionais transmontanos interpretados em dialecto mirandês, a sua obra-prima e um dos melhores discos de sempre da música portuguesa. 

O disco recebeu o Prémio José Afonso. 


1997 - Aparece o seu quarto álbum, "Todo Este Céu", editado pela Sony, Né Ladeiras realiza um sonho antigo ("de há vinte e tal anos"): gravar um álbum dedicado às canções de Fausto, que se caracteriza por uma abordagem "muito próxima do lado místico do Fausto, mas também do seu lado interventivo, porque ele tem uma forma única de intervir, que em muitos casos continua actual e não se perdeu no tempo".


2001 - É editado pela Zona Música o disco "Da Minha Voz". A produção é da própria Né Ladeiras que contou com a colaboração de Chico César e de Tiago Torres da Silva.


2002 - O álbum "Anamar, Né Ladeiras, Pilar - ao vivo" é editado em Setembro deste mesmo ano.

E pronto, vamos iniciar o novo ano com Né Ladeiras, uma das grandes vozes femininas deste país, na canção "Ao longo de um claro rio de água doce" com um cheirinho a Fausto. 






- Bom domingo!