13 julho 2014

ARRANJA-ME UM EMPREGO



ARRANJA-ME UM EMPREGO

No final do jogo da bola, e quando me preparava para recolher no vale dos lençóis, eis que ouço uma grande algazarra na rua.

Deve ser gente da bola a festejar, pensei eu com os meus botões.

Mas ao aproximar-me da janela, vejo uma confraria a desfilar com os seus estandartes, e jovens a implorarem a um homem que seguia no meio da multidão:

- Arranja-me um emprego!

Lá no meio todo pimpão e fanfarrão, lá ia el-rei D. Sebastião. 

A confraria lá seguiu o seu rumo com D. Sebastião a acenar ora para a esquerda, ora à direita, e a lançar sorrisos em todas as direcções.

Fechei a janela e corri para o telefone a contar o que acabara de presenciar ao meu amigo investigador, pois talvez ele soubesse explicar este fenómeno de fazer renascer gente do passado.

Lá me ouviu atentamente, e no final apenas me disse que a química ainda não explica estes fenómenos.

Pronto!

Foi o que se pôde arranjar para hoje, pois já em 1979, Sérgio Godinho nos cantava “Arranja-me um emprego”.



- Bom domingo!