25 novembro 2012

O 25 de NOVEMBRO



O 25 de NOVEMBRO

Como já devem ter reparado, aos domingos temos música neste blogue.

Ramalho Eanes - Jaime Neves - Vasco Lourenço
Faz hoje precisamente 37 anos, que um golpe militar chefiado por Ramalho Eanes & C.ia, pôs fim àquilo que foi designado por PREC – Processo Revolucionário Em Curso.

Fara falar sobre estas coisa, nada melhor que o cantor brasileiro Chico Buarque, na canção Tanto Mar na 1.ª e 2.ª versão.

Tanto Mar, é uma canção inspirada na Revolução dos Cravos (25 de Abril de 1974), sendo censurada no Brasil pelo governo Medici. A 2.ª Versão desta canção foi composta depois do golpe militar do 25 de Novembro de 1975 que pôs fim ao PREC. Chico mudou os tempos da letra (“Está” para “foi”, “Fico” para “Fiquei”), e conseguiu regravá-la.


Tanto Mar

Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim



Tanto Mar
2.ª Versão

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

A letra basicamente fala de um eu-lírico português, enviando uma carta do Brasil para alguém, em Portugal. 

Intencionalmente Chico usou para a melodia o fado, que é a música mais representativa de Portugal. Além de carregar no modo de falar dos portugueses. O “pá” do final das frases é usado em Portugal, da mesma forma que os brasileiros usam o “cara”, “mano”, etc.

Na análise da letra, fica claro que a “festa” a qual Chico se refere é nada mais do que a própria Revolução dos Cravos e na primeira estrofe percebemos a diferença das versões: da primeira, no auge da revolução, quando ele se mostra exultante pelo trunfo do movimento e até meio decepcionado por não poder fazer parte daquela farra. 

Já na segunda versão fica evidente uma espécie de resignação pelo fim da revolução, a despeito dos frutos que a mesma deixou.

Chico também faz questão de homenagear o grande poeta português Fernando Pessoa e seu famoso verso “Navegar é preciso; viver não é preciso”, quando lembra o enorme oceano que separa os dois países.

Na última estrofe Chico lembra que enquanto em Portugal o povo “canta a primavera”, lá no Brasil ele estava “carente” de liberdade, e daí desejar sentir um pouquinho de cheiro de Alecrim, planta típica portuguesa de cheiro ativo e agradável.

Fiquem com as palavras de Chico Buarque.

Bom domingo!